Soja: China tem estoques baixos nos portos, mas margens ruins de esmagamento

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou as vendas semanais de grãos do país em seu boletim de todas as quintas-feiras trazendo um bom número para a soja. Foram vendidas pelos americanos, na semana encerrada em 28 de março, 1.971,7 milhão de toneladas. O maior volume – 86% do total – foi adquirido pela China.

O total superou ligeiramente as expectativas do mercado, as quais variavam de 800 mil a 1,8 milhão de toneladas, e mostra a confirmação das últimas notícias de que os chineses estavam, de fato, buscando parte de sua oferta no mercado americano.

Embora este seja mais um sinal positivo para o mercado, trata-se de mais um fator de efeito pontual para as cotações, uma vez que nenhuma grande mudanças na relações entre China e Estados Unidos foi anunciada e a tarifação da nação asiática sobre a oleaginosa americana continua.

O que se vê neste momento é um mercado desgastado por tantas especulações que não se confirmar e essas reações ainda bastante pontuais. “A China pode salvar o mercado de soja dos EUA?”, questiona o analista sênior do portal Farm Futures, Bryce Knorr.

Ainda na análise do executivo, “se um acordo não puder ser alcançado, o intervalo nos gráficos próximos têm uma conclusão óbvia. Mas a questão real é sabermos se um acordo fará muita diferença no curto prazo”.

Mesmo com a sinalização de um consenso sendo quase alcançado entre as duas nações – segundo fontes nacionais o acordo estaria 90% pronto – o novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA traz na semana que vem ainda poderia, de acordo com estimativas da consultoria internacional Allendale, trazer estoques finais de soja nos EUA na casa de 24,6 milhões de toneladas, um dos mais altos da história.

No último dia 29, os trimestrais vieram recordes para a posição de 1º de março em 74 milhões. Os estoques aumentaram em relação a 2018 consideravelmente. Os números, em milhões de bushels, mostram em cima o total deste ano e, na linha de baixo, o do ano passado.

Assim, ainda segundo Knorr, esses números têm portanto, que ser cruzados com a atual situação da demanda chinesa. “A principal métrica neste momento é o gráfico dos estoques de soja nos portos chineses e as margens de esmagamento no país”, diz Knorr.

Segundo o analista, os estoques nos terminais do país asiático são os menores em quatro anos, no entanto, na outra ponta, as margens de esmagamento são as piores em seis anos na China. “Os dois não costumam andar juntos”, explica. E estes são dois pontos, como explica o especialista da Farm Futures, de que a demanda está realmente mais fraca este ano, principalmente por conta do impacto da peste suína africana e, consequentemente, na redução do consumo de ração no país.

O adido do USDA na China estima as importações do país este ano em 91,44 milhões de toneladas no próximo ano, “o que pressupõe que, neste ano, as compras cheguem a 87,91 milhões de toneladas”, diz Knorr. Entretanto, as importações chinesas na metade da temporada são de somente 37,01 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China.

Fonte: Notícias Agrícolas

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