Edição genética possibilita trigo sem glúten

Variedade poderia ser consumida por celíacos

Um estudo realizado a partir de uma tese de Doutorado da Wageningen University & Research, na Holanda, indicou que pode ser criada uma variedade de trigo sem glúten a partir da edição genética, mais precisamente com técnicas CRISPR / Cas. Uma dieta sem glúten, excluindo trigo, cevada e centeio, é atualmente o único remédio para pacientes celíacos.

Na tese de doutorado, Aurélie Jouanin também descreve um uso alternativo da edição genética com CRISPR / Cas9 para modificar com precisão os genes da gliadina e removê-los dos epitopos imunogênicos, para desenvolver o chamado “trigo com glúten seguro.” A princípio ela gerou plantas de trigo nas quais alguns genes da gliadina foram modificados ou removidos.

No entanto, essas plantas de trigo editadas ainda não são seguras para pacientes com doença celíaca, já que há um grande número de genes do glúten presentes no trigo e nem todos os genes do glúten foram alvos. Ela também desenvolveu métodos de alto rendimento para determinar quais genes foram modificados e quais devem ser editados em etapas futuras para uma variedade de trigo segura.

Contudo, mesmo que o estudo seja promissor e possibilite um trabalho que beneficiará muitas pessoas, a descoberta entrava em fatores políticos que variam entre os países do globo. Na Europa, por exemplo, existe uma discussão muito grande sobre os organismos geneticamente modificados, desde que um Tribunal decretou que qualquer um deles deveria ser rotulado como transgênico.

De acordo com Bianca Rootsaert, diretora administrativa da Nederlandse Coeliakie Vereniging, “muitos produtos são excluídos de uma dieta saudável normal quando alguém de doença celíaca. Celíacos estão lutando diariamente com a questão sobre que eles podem ou não podem comer. O trigo sem glúten seria uma melhoria extrema da qualidade de vida dos celíacos”.

Por: AGROLINK -Leonardo Gottems

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